segunda-feira, 24 de maio de 2010

Técnicas, desenvolva-as!


Doug Lemov é um educador que dissemina técnicas aos demais educadores. Ele estudou professores de sucesso, filmou suas aulas e percebeu que além das teorias pedagógicas é preciso aprimorar os métodos de ensino dos professores, e começou a fazer isso utilizando as técnicas comprovadamente de sucesso. Seguem algumas:

1) Não tire o olho do professor!

Quando o professor fala ou explica algo, todos devem estar atentos a ele. Lógico que, no momento oportuno, deve-se dar um tempo para as anotações, os esquemas etc. Se 100% de sua turma está com os olhos em você, provavelmente o índice de aprendizagem estará próximo a isso também.

2) Certo é certo!

Tenho visto muito meio certo na minha vida, até eu já dei muito meio certo... Até que em avaliações podemos contar com essa possibilidade, mas na sala de aula, quando estamos fazendo perguntas devemos exigir respostas 100% certas. Peça o complemento das respostas... Não se satisfaça com pouco! Depois, nas avaliações você vai poder solicitar também 100%, sem ter que se contentar com menos.

3) Não sei?

Quantas vezes nos deparamos com um "Não sei" no meio de nossa sala de aula? E o que fazemos? Nos acomodamos? Nos conformamos? Pensamos, bom isso não é problema meu, é falta de base... Converse com este aluno e exponha o problema, para avançar esta etapa, esta disciplina ele precisa resolver o "não sei" e mantenha a expectativa alta em relação a ele, dando-lhe os caminhos para resolver as suas dificuldades.

4) Pesque...

Jogue iscas para iniciar novos conteúdos, começando-os de maneiras diferentes: histórias, pequenos problemas ou desafios, trechos de filmes ou músicas...

5) Circulando

Circular pela sala é uma das técnicas que produzem um dos melhores resultados na atenção dos alunos, pois quebra-se uma barreira imaginária que existe entre professores e alunos e acaba demonstrando proximidade. Ao longo dessa "caminhada" aproveite para fazer perguntas individuais, tocar no ombro de um aluno mais distante e também fazer brincadeiras divertidas como espreguiçar-se ou tocar um apito (eu faço muito isso, meus alunos quase caem das cadeiras... rs).

6) Pergunta direcionada

Ao fazer peruntas sobre a matéria, direcione-as. Chame os alunos pelo nome e peça as respostas. Essa técnica mantém o aluno atento e em dia com o conteúdo. Sei que muitos consideram isso uma "exposição" desnecessária, mas é só não desrespeitar aqueles que, por ventura, não saibam responder.

7) Hora da bronca

Mesmo lidando com jovens e adultos, muitas vezes temos que chamar a atenção dos alunos. Devemos fazê-lo de forma positiva, assim, ao invés de dizer: "Não façam tanto barulho", diga: "Preciso da atenção de vocês agora!". Pessoas se motivam por fatores positivos, pois buscam o sucesso e evitam o fracasso. E, lembre-se, se houver necessidade de uma repreensão mais dura, faça-a em particular.

8) Elogios

Os elogios são bem vindos, mas servem para ações que vão além das expectativas, para as superações. "A banalização do elogio tem um efeito destrutivo no longo prazo. O elogio por atitudes banais acaba minando a confiança do aluno de que ele pode fazer algo extraordinário." (Revista Época , de 26 de abril de 2010, p. 115).

Essas são algumas (pequeníssimas) técnicas para o dia-a-dia da sala de aula. Falaremos mais sbre o tema...

Por hoje é isso!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Ser professor também se aprende

Hoje as pesquisas já comprovaram que nada tem tanto efeito sobre o aprendizado quanto a qualidade do professor (Revista Época, nº 623). Ao longo de minha carreira docente e de pesquisadora de formação de educadores sempre questionei o mito do "dom" e da "missão" do ofício, defendendo a profissionalização. Portanto, para mim, a docência, assim como qualquer outra profissão, pode ser aprendida; para ser docente existem técnicas específicas. Sei que muitos vão até ficar "chocados" ao lerem isso, mas é verdade, assim como um cirurgião TEM que aprender a fazer uma incisão perfeita um professor que alfabetiza TEM que aprender a fazer letras perfeitas.
Como professores universitários, e, portanto, lidando com adultos e jovens reconhecemos que nossas salas de aula são universos de pequenas ações. Dessa forma essas pequenas ações podem ser pensadas e otimizadas para que a efetividade (aprendizagem) seja alcançada com eficiência e até com economicidade (de tempo e esforço). Algumas ações basilares são:
1) Trace as metas com a turma, mas realce as mesmas tornando-as ambiciosas. (Você pode ter como referência, por exemplo, as notas do ENADE do curso)
2) Planeje as aulas. Deixe o improviso de lado ou replaneje, abandone o planejamento de semestres anteriores; busque novas referências bibliográficas, outros sites, autores que se contradizem, novas ilustrações, exemplos diferentes... Enfim, renove seu planejamento, reestude a matéria.
3) Dê aulas com eficiência, aproveitando o tempo. Um dos diferenciais da EAD é esse, não há o tempo para a chamada, para o bate-papo etc. Assim, a aula é ocupada com conteúdo e, pode acreditar, seus alunos gostarão disso.
4) Trabalhe incansavelmente, pois cada uma das ações anteriores dá MUITO trabalho!
Como estamos vendo, existem técnicas e tratarei delas a partir de hoje aqui no blog. Espero ser eficiente para conseguir postar com mais regularidade e contar com seus pontos de vista, críticas e opiniões para aprimorar os textos.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O Aluno q queremos...

Todos nós já passamos por processos educativos, seja como aluno ou como um “professor” (mentor, tutor, orientador ou conselheiro). Como alunos, com certeza já vivenciamos um momento único, uma experiência na qual um professor iluminou nossas idéias com novos conhecimentos, escancarando portas que nem sonhávamos existir. Essa experiência é inata ao ser humano e ao nosso direito básico de sermos aprendizes vorazes e naturais. Isto é, todo ser humano tem vontade/desejo de saber e de aprender, no entanto o sistema educativo mata esse desejo ao longo dos inúmeros anos de escola, carteiras e aulas maçantes. Portanto, o aluno chega ao ensino superior com esse desejo apagado, esquecido...

Ao longo de nossas vidas, ouso dizer até diariamente, nos deparamos com novidades e desafios (haja visto esse novo mundo tecnológico que se descortina), ousados e menos audaciosos. Se nos colocamos em uma posição de aprendizagem constante, prontos para superar esses novos desafios e a conhecer essas novidades, então viver e aprender tornam-se situações e processos inseparáveis.

Hoje já conseguimos perceber no mundo corporativo (empresas públicas e privadas) que não há separação entre nossas vidas e nosso trabalho, pois preciso aprender para a vida e não apenas para exercer uma função ou atividade específica no trabalho. O importante é representarmos esses processos como significativos para cada um, este é o grande desafio. A humanidade neste formato que a conhecemos sempre precisou de lugares seguros onde processar o ensino e a aprendizagem: as escolas. No entanto esse locus privilegiado, o ambiente educativo, deve ser encarado por educadores e educandos como ponto de partida, pois aprende-se por toda a vida. Assim, o ensino superior não pode ser encarado, especialmente pelos professores, como uma etapa final, pois esta não existe. O objetivo é a aprendizagem com efeito social, que repercuta na vida da sociedade na qual o indivíduo está inserido, afinal não queremos alunos que simplesmente sigam regras, pois o mundo em constante evolução como o conhecemos exige pessoas que saibam atuar com autonomia, chegar às próprias conclusões, sugerir e liderar além de simplesmente seguir, enfim, questionar, arriscar para construir.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

SER professor

Ser professor universitário em pleno século XXI, no Brasil, é uma tarefa complexa. Muitos profissionais que não se envolvem com a docência podem pensar que ser professor é muito simples: basta ir ali dar uma aulinha. Sinto informar, mas estão redondamente enganados! A primeira discussão que gostaria de ter com vocês é sobre o papel do PROFESSOR enquanto EDUCADOR, pois este papel é bastante claro no nível da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio), mas no nível superior essa discussão se perde. Lembrando: educar significa modificar comportamentos. E então, vamos conversar?